A tecnologia a favor do ser humano

Swami Vivekananda, figura chave na introdução da Vedanta e da Ioga no Ocidente, afirmava: “O mundo não é bom nem mau; cada homem constrói seu próprio mundo. Somos uma mistura de felicidade e sofrimento. A vida é boa ou má de acordo com o estado de espírito com que a contemplamos. Em si mesma, ela não é nada.” Para reforçar sua argumentação costumava usar como exemplo o fogo: “O fogo, em si mesmo, não é bom nem mau. Quando somos aquecidos, dizemos: ‘Como é bom o fogo’, e ao queimar-nos, nós o condenamos. De acordo com o uso que fazemos dele, ele nos causa uma sensação boa ou má. O mesmo se dá com o mundo.”

Não queremos ser simplistas nem reduzir a uma única análise um “mundo de probabilidades”, mas é muito interessante o horizonte que se descortina para quem quer analisar a vida sob este prisma. Falemos sobre HIPERCONECTIVIDADE. Ela é boa ou é ruim? O mundo que ela nos apresenta é bom ou mau? As ferramentas que utilizamos para nos conectar são boas ou ruins? A hiperconexão é uma realidade. O mundo está super-conectado. As ferramentas para esta conexão estão em toda parte mesmo que não tenhamos consciência de que naturalmente a estejamos usando. O problema não é de lançarmos anátema ou proibição, mas controle adequado e educação. Precisamos lançar sobre o tema o “olhar” de Vivekananda e entender que consoante ao uso que estamos fazendo, ela será boa ou má, nos fará bem ou mal, nos colocará diante do mundo, rompendo barreiras e aproximando pessoas ou nos isolará criando um mundo artificial e egoísta.

Qual é o objetivo da vida? O objetivo único da vida é a evolução. Como se processa esta evolução? Através da evangelização pela reforma íntima. Sabedores disso, nos perguntarmos: O uso da internet colabora com nossa evolução? O tempo que passo conectado furta espaço à convivência familiar? Estou mais próximo de meu próximo? Sendo positiva as respostas, viva este maravilhoso mundo e sua contribuição, mas se a resposta for negativa, como todo e qualquer vício/defeito, precisa ser erradicado ou minimamente controlado, para nossa libertação deste cenário de expiações e provas. Se não devemos criticar a hiperconexão porque há benefícios, também não podemos louvar virtudes que não possui.

No tocante à mediunidade é necessário alertarmos aos médiuns ou aspirantes ao seu desenvolvimento dos prejuízos do excesso de conexão. “A mente é base de todo fenômeno mediúnico” nos lembra André Luiz, os espíritos se comunicam conosco utilizando o cérebro e se ele estiver super-ocupado com outras conexões, eles não poderão utilizá-lo adequadamente. As redes soterram o nosso cérebro através de uma avalanche de informações e impulsos, tornando impossível o arejamento de nossas ideias. Este símile reduz nossas conexões empobrecendo as sinapses. Também criam problemas sócio emocionais, o excessivo tempo de permanência conectado, subtraem habilidades de convivência. Pela falta do “olho no olho”, pode perder a capacidade de ler emoções, limitando a interpretação do próximo pela falta de convivência.

Esta falta de interpretação do outro nos faz mais individualistas, portanto menos solidários. Perdemos a necessária reação do outro o que dificulta a auto-observação e correções de rotas. Um ser interagindo com outras pessoas e com o meio onde vive recebe mais de 3.000 impulsos, porém hiperconectado ele inibe consideravelmente este processo e é levado a IRREFLEXÃO conspirando contra as funções executivas da mente, roubando nossa LUCIDEZ. Sem lucidez, adeus consciência e, consequentemente, mediunidade como ferramenta de evolução. Dentro do processo de controle e educação somos levados a informar que o hiperconectado não repousa, não descansa seu cérebro. Há uma grande tendência de buscarmos respostas prontas, endeusando a superficialidade e nos satisfazendo com o que “já foi pensado”. Mais uma vez apelamos para Paulo que há mais de 20 séculos nos alertou sobre a necessidade de realizarmos um culto racional nos transformando pela renovação da mente.

Escrito por: Milton Martins

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